Segundo escalão no programa de reabilitação do aproveitamento do Douro Internacional, está implantado numa zona onde o curso do rio muda bruscamente de direcção, na imediata proximidade de Miranda do Douro.

Contemporaneamente à construção do Picote é iniciado o Plano Geral de aproveitamento de Miranda. A presença de um centro urbano preexistente, constitui mais uma condicionante com a qual os arquitectos se confrontam. Trata-se de uma pequena cidade rica de memórias e monumentos históricos, mas com insuficientes infra-estruturas urbanas.

A Além de construir os serviços primários para p pessoal directamente ligado à construção, são realizados, quase como que se tratasse de uma indemnização à Cidade, um conjunto de infra-estruturas para toda a comunidade.

A limitação temporal e as pressões da Câmara Municipal justificam a realização de um conjunto de projectos fora do grupo de arquitectura da empresa HED, como a pousada e o hospital.

Miranda representa uma grande ocasião amputada, na medida em que o plano geral concebia o encontro entre passado e presente como um momento de reposição de valores preexistentes, mas reinterpretados segundo modernos conceitos de integração com a história. Um pequeno exemplo deste potencial é dado pela construção da estação de tratamento de água. Uma nova forma que exalta as preexistências e propõe novos valores, novas qualidades urbanas.

 

Plano Geral

 

O terreno, no local das obras, é composto fundamentalmente de rochas de tipo xisto e granito. Dada a forma do vale, a solução adoptada para a barragem foi uma solução do tipo contraforte. Basicamente o aproveitamento compõe-se de uma barragem central subterrânea, edifício de comando e de descarga e parque de linhas localizados na margem direita do rio. Relativamente às infra-estruturas de apoio, o plano definiu uma estratégia de integração e articulação com a cidade preexistente. O resultado deste método, produziu um coerente e equilibrado crescimento da cidade, factor que lamentavelmente entrou em ruptura durante a mais recente expansão.

 

Central - Edifício de Comando - Edifício de Descarga - Parque de Linhas

 

Criar condições de conforto para superar as dificuldades do ambiente de trabalho fechado, rumoroso e integralmente enterrado, constituiu para os arquitectos, a maior problemática do projecto das centrais subterrâneas. A de Miranda, em caverna, com 80 m de comprimento, 19,6 m de largura e 42,7 m de altura, é particularmente interessante pela modalidade de tratamento do tecto,  das paredes e da forma como os pilares se articulam na sua função de suporte da ponte rolante.

O edifício de Comando, de Descarga e Parque de Linhas, localizam-se na margem direita, numa plataforma artificial, coroando um esporão de rocha que provoca a curvatura apertada do rio. Chegando de Espanha, estes adquirem a preponderância de um segundo bastião da muralha.

Concebidos segundo um esquema volumétrico articulado em dois corpos de controlada geometria, articulam-se entre si através de um sapiente jogo de transparências que permite a localização imediata dos acessos e a projecção visual em todas as direcções para o exterior do edifício.

O acesso à central subterrânea faz-se através de um poço de 9 m de diâmetro e 63 m de altura.

yousoumirandes@gmail.com 2004 © Site: Autoria Raúl Silva
colaboração de Teresa Ferreira
e Rita Segundo