D. Dinis - Trás-os-Montes

Nasceu a 9 de Outubro de 1261 em Lisboa, filho de D. Afonso III e de D. Beatriz de Castela.

D. Dinis casou com D. Isabel de Aragão (Rainha Santa Isabel).

Subiu ao trono como sexto rei de Portugal a 16 de Fevereiro de 1279, tendo pouco mais de dezassete anos. O reinado de D. Dinis foi o terceiro mais longo da história portuguesa, tendo vivido 63 anos e reinado 46, só sendo batido por D. Afonso Henriques que viveu 76 anos e governou 57 e por D. João I que reinou 48 anos e viveu até aos 76.

Faleceu a 7 de Janeiro de 1325 em Santarém, estando enterrado no Mosteiro de São Dinis e São Bernardo em Odivelas.

 

Forais em Trás-os-Montes:

1285 - Foral a Torre de Moncorvo;

1286 - Foral de Vila a Miranda do Douro – dado em Santarém a 18 de Dezembro;

1287 - Foral a Torre de D. Chama;

1289 - Fundação de Vila Real e doando-a à rainha D. Isabel;

1291 – Foral de Mirandela;

1294 – Foral de Alfândega da Fé;

1299 – Confirmação do foral de Torre de D. Chama;

1304 – Foral a Murça;

 

Povoamento:

O povoamento do reino mereceu uma grande atenção por parte do monarca. Prova disso é a intensa concessão de cartas de foral durante todo o período dionisino, sobretudo durante a primeira metade sendo que entre 1279 e 1287 foram criados 23 novos concelhos, muitos destes em Trás-os-Montes: Aljezur, Castro Marim, Bonalbergue (ou Oriola), Paredes, Cacela, Póvoa da Veiga, Nozelos, Favaios, Sanceriz, Caminha, Almodôvar, Rebordãos, Valverde, Vila de Rei, Valbom, Lagoaça, Vila Flor, Porches, Vila Franca, Miranda do Douro, Torre de Dona Chama, Vilarinho da Castanheira e Vale de Prados.

 

Tratado de Alcañices:

Em 1297, ano de inquestionável sucesso diplomático, D. Dinis na segunda metade do ano esteve na fronteira Transmontana para a assinatura do tratado de Alcañices, regressando a Lisboa no início de Janeiro.

D. Dinis estava em Coimbra desde meados de Maio. Nesta cidade concedeu diversas doações às ordens militares do Hospital, Templo, Santiago e Avis, muito provavelmente como recompensa pelo apoio prestado na campanha militar do ano anterior. Dali saiu a 4 de Julho, passando o resto do mês e parte de Agosto em Trancoso, pelo que foi aproximando-se assim de Alcañices, local combinado para a assinatura do Tratado.

Subiu até Miranda, dirigindo-se depois para São Martinho de Angueira, onde cruzou a fronteira para Alcañices, onde se encontrou com os Castelhanos.

A 12 de Setembro de 1297, uma quinta-feira, os reis D. Dinis de Portugal e Fernando IV de Castela, na presença das rainhas, dos infantes, dos ricos-homens e bispos dos dois reinados, assinaram o Tratado de Alcañices.

«O Tratado de Alcañices foi, acima de tudo um tratado de paz: Essencialmente um tratado de fronteiras, definiu os limites entre os reinos de Portugal e de Castela-Leão. Assim nasceu a fronteira mais antiga da Europa»

 

Economia:

Continuidade da politica régia no sentido de fomentar a criação e o desenvolvimento de feiras. Sendo as regiões beirã e transmontana as que foram mais beneficiadas com estas medidas, o que se compreende, atendendo ao facto de que «um dos objectivos primaciais da feira estava no estimulo ao povoamento e ao trânsito comercial. A sua criação correspondeu à politica de fomento de um D. Afonso III e de um D. Dinis, tentando fixar gente no interior e junto à fronteira com Leão e Castela, o que garantia à coroa vilas mais povoadas e opulentas, possibilidades de defesa acrescida e, réditos difundidos e aumentados».

Caminha (1291), Gaia (1302), Chaves (1289), Mesão Frio (1289), Miranda do Douro (1290), Vila Flor (1294), Mogadouro (1295), Mirandela (1304), Lamego (1292), Ranhados (1294), Sernancelhe (1295), Sabugal (1296), Trevões (1304), Torres Vedras (1293), Santarém (1302), Ourique (1288), Arronches (1289), Alvito (1295), Moura (1302) e Loulé (1291).

Lembremos ainda os privilégios concedidos às feiras francas, em 1301.

 

Defesa:

A par da politica de povoamento, com a criação de 44 novos concelhos, foi desenvolvida uma dinâmica politica de defesa.

Foi feito um esforço construtivo que se estendeu ao longo de todo o reinado, muitos deles coincidem com os concelhos recentemente criados, e a sua maioria situa-se junto da fronteira Castelhana- Leonesa:

Miranda do Douro, Vinhais, Vila-Flor, Alfândega da Fé, Mirandela, Freixo de Espada-à-Cinta, Vila Real, Chaves, Montalegre, em Trás-os-Montes.

Podendo-se dizer que o reinado de D. Dinis como o momento de viragem na história da nossa arquitectura militar.

 

Os anos da guerra e da morte (1319-1325)

O primeiro ano, de resto, foi aquele em que D. Dinis mais se deslocou e o único que o afastou do eixo habitual de itinerância. No inicio de Janeiro de 1319 estava em Montemor-o-Novo e ali se encontrava no inicio de Março, depois de percorrer o Alenteja (Beja e Évora). Parte depois em direcção a Santarém, e entre esta cidade e Lisboa reparte o resto do ano, dirigindo-se no final de Dezembro para Trás-os-Montes, fechando o ano em Vila Nova de Miranda. Pela última vez no Norte do reino, despede-se de Trancoso a 12 de Janeiro de 1320, a vila onde havia 38 anos antes recebera a rainha D. Isabel, e já em Fevereiro estava em Santarém.

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colaboração de Teresa Ferreira
e Rita Segundo