L diabro i la bóbeda

O diabo e a abóbora

     Ua beç l diabro, bestido de probe, fui-se a pedir smola an casa dun rico.  Batiu a la puôrta i ben la criada i dixo-le al probe que antrasse.  Era no berano i fazie muita calor.
Preguntou-le al probe se querie caldo i el dixo que si.
Trouxo-le anton ua palanganada de caldo de bóbeda, mas staba mui caliênte i l diabro a la pormeira colharada que metiu na boca, scaldou-se i dou un berro.
Biêno anton la criada abaixo i preguntou-le quei tenie.  I l diabro arrespundiu:
- Oh minha senhora, o caldo sta mui caliênte.
- Oh! isso não é do caldo é da bóbeda!  O caldo de abóbora queima sempre, arrespondiu la criada.
-  Anton dá-me uma para o inverno, que eu tenho pouca roupa, e é para me aquecer!... arrespondiu l diabro.
Bai anton la criada dá-le ua bóbeda al probe...
Alhá se bai l diabro todo cuntento, cun sue bóbeda pal eimbiêrno.
Guardou-la mui guardada, antre uas silbas, porque l diabro ni ten casa.
Quando biêno anton l eimbiêrno, ampeça-te un die a fazer friu i a gilar cun toda la fuôrça, i apuis atrás de la gilada biêno ua nebada mui grande, mui grande — de siête quartas.
Lhembrou-se l diabro anton de la bóbeda que tenie guardada antre las silbas, alhá nas Peinhas-Negras i fui-se alhá cheno de friu a meter ls pies na bóbeda.
Cunsante metiu ls pies na bóbeda, pa ls calcer, dou un berro i diç assi:
Ora esta!  Cuidaba you que era tan spiêrto i deixei-me anganhar dua bóbeda!...
I acabou-se.

Uma vez o diabo, vestido de pobre, foi pedir esmola a casa de um rico. Bateu a porta e veio a criada que disse ao pobre que entrasse. Era no verão e fazia muito calor.
Perguntou ao pobre se queria sopa e ele disse que sim.

Trouxe-lhe então uma malga de sopa de abóbora, mas estava muito quente e o diabo na primeira colherada que meteu na boca, queimou-se e deu um grito.

Veio então a criada ao andar de baixo e perguntou-lhe o que tinha. E o diabo respondeu:
- Oh minha senhora, a sopa está muito quente.
- Oh! Isso não é o da sopa é da abóbora! A sopa de abóbora queima sempre respondeu a ciada.
- Então dá-me uma para o inverno, que eu tenho pouca roupa, e é para me aquecer!... respondeu o diabo.
Vai então a criada e dá uma abóbora ao pobre...
E lá se vai o diabo todo contente, com a abóbora para o Inverno.
Guardou-a muito bem guardada, entre umas silvas, porque o diabo não tem casa.
Quando veio o Inverno, começou a fazer frio e a gear com toda a força, e depois da geada veio uma nevada muito grande, mesmo muito grande.
Lembrou-se o diabo então da abóbora que tinha guardado atrás das silvas, lá nas Penhas-Negras e foi-se lá cheio de frio para meter os pés na abóbora.
Consoante meteu os pés na abóbora, para os aquecer, deu um grito e disse assim:
Ora esta! Pensava eu que era tão esperto e deixei-me enganar por uma abóbora!...
E acabou-se.

 
yousoumirandes@gmail.com 2004 © Site: Autoria Raúl Silva
colaboração de Teresa Ferreira
e Rita Segundo