L diabro i l burro

O diabo e o Burro

     Ua beç  ua burra tubo un burrico.  Apuis deili a três dies que naciu, iba yá cun sue mai pa l cerrado.
Apuis, andaba a saltos i a brincos no cerrado, polhi.
Apuis passou eili l diabro i biu l burrico a dar saltos i brincos tan altos cumo la burra sue mai.
I diç l diabro alhá para cun el todo admirado:  — Ai, aquel burrico, inda naciu há três dies i yá salta tanto!...  Quando chigar a tener binte anhos, aposta que dá saltos tan altos cumo l campanairo!?...
Bou-me a lhebá-lo para casa.
Apuis  l diabo lhebou l burrico pa sue casa i dou-le muito a cumer i tratou-lo mui bien.  Siempre mui bien.
Quando chigou als binte anhos, yá l burro era biêlho.  Botou-lo fuôra de l palheiro i l burro quaije nun se mexie.  Pus yá era biêlho!...
I diç anton el diabro pa l burro:
- Ora tu si que me amoleste!...
Yê la primeira beç que  l diabro, que se cuida tan spiêrto, se deixa anganhar dun burro.
I acabou-se.

     Uma vez uma burra teve um burrico. Três dias após ter nascido, ia com a sua mãe para o curral.
Depois, andava aos saltos e a brincar no curral.
Depois passou por ali o diabo e viu o burrico a dar saltos altos e a brincar com a burra sua mãe.
E disse o diabo para com ele todo admirado:
Ai, aquele burrico, só nasceu a três dias e já salta tanto!... Quando chegar aos vinte anos, aposto que dá saltos tão altos como a torre da Igreja!?...
Vou levá-lo para minha casa.
 O diabo levou o burrico para casa e deu-lhe muito de comer e tratou-o muito bem. Sempre muito bem.
Quando chegou aos vinte anos, já o burro era velho. Deitou-o fora do palheiro e o burro quase não se mexia. Pois já era velho!...
E então disse o diabo para o burro:
- Ora tu é que me amolas-te!...
É a primeira vez que o diabo, que se julga tão esperto, se deixa enganar por um burro.
E acabou-se.

yousoumirandes@gmail.com 2004 © Site: Autoria Raúl Silva
colaboração de Teresa Ferreira
e Rita Segundo