L galho i la raposa

O galo e a raposa

     Era ua beç un galho que quijo passar la nuite nun galho dun sobreiro, a la borda de un camino, alhá pa Funte-Lhadron.
Quando chigou la purmanhana, passou alhi ua raposa, pul camino.
La raposa tenie fame i andaba a saber de l que habie de cumer.  Oubiu l galho a cantar no sobreiro i fui-se alhá.  Ampecórun anton a tocar a missa uas campanas, aposta que an Funte-Lhadron, an Mora, ou an Palaçuôlo.
Stando a tocar a missa, diç la raposa pa l galho:
—  A cumpadre galho, anton que stais ende a fazer?
—  Oh! pus stou eiqui a ber quien passa.
—  Bós nun oubis: diç la raposa, stan a tocar a missa, home, andai dende!... Abeixai dende i bamos a eilha!...
I arresponde l galho:
—  Pus si, comadre raposa, asperai un pouquito, i anquanto you abaixo, stan a chigar ls perricos de l cura, que bénen yá eili, i apuis bamos todos!...
— Ah cumpadre galho! — arresponde la raposa, mui assustada i ampeçando a correr — deixai-me que tengo muita priêssa, bou-me you sola delantre, que yá stá l cura a spêra, de balde, até lhougo!...
I la raposa scapou-se a fugir, que nien siête galgos la agarrában.

     Era uma vez um galo que quis passar a noite num galho dum sobreiro, a beira dum caminho, lá para Fonte-Ladrão.
Quando chegou a manha, passou por ali uma raposa, pelo caminho.
A raposa tinha fome e andava a saber o que havia para comer.  Ouviu o galo a cantar no sobreiro e foi lá.  Começaram a tocar os sinos para a missa, aposta que em  Fonte-Ladrão, em Mora, ou em Palaçoulo.
Estando a tocar para a missa, disse a raposa para o galo:
—  Ah compadre galo, então o que estais ai a  fazer?
—  Oh! pois estou aqui a ver quem passa.
—  Vós não ouvis: disse a raposa, estão a tocar para a missa, homem, andai dai!... Descei e vamos lá!...
E responde o galo:
—  Pois sim, comadre raposa, esperai um pouco, e enquanto eu desço, estão a chegar os cães do padre, que vêm já ali, e depois vamos todos!...
— Ah compadre galo! — responde a raposa, muito assustada e começando a correr — deixai-me que tenho muita pressa, vou-me andando sozinha, que já está o padre a espera, de balde, até logo!...
E a raposa escapou-se a fugir, que nem sete galgos a agarravam.

yousoumirandes@gmail.com 2004 © Site: Autoria Raúl Silva
colaboração de Teresa Ferreira
e Rita Segundo