Oliveira do pé d’ ouro

 

Oliveira do pé d' ouro

Deita galhadas de prata

Só te pido, meu amor,

Que m' escrevas uma carta.

 

A carta que eu te escreva

Sai-me da palma da mão,

A tinta sai-me dos olhos

A pena do coração.

 

No alto daquela serra

Onde se tece a cambraia

Quem 'stá limpo não se suja

Antes que na terra caia.

 

Da minha janela bêjo

A Senhora da Saúde

Que te tire do sentido

Quem me quis lograr não pude.

Ripai a folha ao olmo

'scutai bem o que ela diz

Ninguém se finte nos homens

Sem serem seus de raiz.

 

A fôlha do olmo branco

Parece uma tenda armada

Bem o vento bira a fôlha

Fica a tenda desarmada.

 

Meu amór, se bires caír

Fôlhas berdes na baranda

Olha que são suidades

Que o meu coração te manda.

Cancioneiro Tradicional Mirandês de Serrano Baptista
yousoumirandes@gmail.com 2004 © Site: Autoria Raúl Silva
colaboração de Teresa Ferreira
e Rita Segundo